Júlio Dinis
(Ao meu amigo João Marques Nogueira Uma)
I
Tinge do oriente as serras
O matutino alvor;
E do clarim das guerras
Se ouve o mortal clangor.
— «Ai, grata paz dos lares,
Adeus, força é partir.
Ó sombra dos pomares!
Ó rosas a florir!
«As hostes reunidas
Chamam-me a combater,
Ai, longas avenidas,
Tornar-vos-ei a ver?
«Adeus, loucos amores!
Adeus, beijos febris,
Adeus, mudos verdores,
Que em sombras os encobris.»
— «Ó mãe, dá-me uma espada
Oiço da Pátria a voz!»
— «Ei-la. É imaculada,
Era a dos teus avós!»
— «Pura a trarei, voltando...
Se não morrer ali.»
— «Vai! disse a mãe, chorando,
Eu rezarei por ti.»
— «Filho, meu filho, espera!
Não me ouve já. Partiu!»
E o ardor que a sustivera
De todo se extinguiu.