Elmano Sadino

Aquele, a Quem Mil Bens Outorga o Fado

Aquele, a quem mil bens outorga o Fado,

Desejo com razão da vida amigo

Nos anos igualar Nestor, o antigo,

De trezentos invernos carregado:

 

Porém eu sempre triste, eu desgraçado,

Que só nesta caverna encontro abrigo,

Porque não busco as sombras do jazigo,

Refúgio perdurável, e sagrado?

 

Ah! bebe o sangue meu, tosca morada;

Alma, quebra as prisões da humanidade,

Despe o vil manto, que pertence ao nada!

 

Mas eu tremo!...Que escuto?...É a Verdade,

É ela, é ela que do céu me brada:

Oh terrível pregão da eternidade!