Marquesa de Alorna
Disse um Cuco, ponderado,
A um Rouxinol, certo dia:
– «O meu canto é regulado,
Tem compasso e melodia.
São estas regras do canto
Dignas de grande atenção.
Ouve, Rouxinol, talvez
Que te aproveite a lição.»
Espaneja-se o cantor,
E em duas notas iguais
Vomitou do triste papo
– Cucu, cucu – nada mais.
A Filomela, sorrindo,
Respondeu numa volata,
E em torrentes de harmonia
Sufocou a voz ingrata,
Quando um quadrúpede triste,
Pelas orelhas famoso,
Começa a cantar tão alto
Que atroa o bosque frondoso.
O Rouxinol, coitadinho,
Nem mais pôde abrir o bico.
Eu também num caso destes
Nem me pico, nem despico.