Luís Vaz de Camões

Que me quereis, perpétuas saudades?

Que me quereis, perpétuas saudades?

Com que esperança inda me enganais?

Que o tempo que se vai não torna mais,

E se torna, não tornam as idades.

 

Razão é já, ó anos, que vos vades,

Porque estes tão ligeiros que passais,

Nem todos pera um gosto são iguais,

Nem sempre são conformes as vontades.

 

Aquilo a que já quis é tão mudado,

Que quase é outra cousa, porque os dias

Têm o primeiro gosto já danado.

 

Esperanças de novas alegrias

Não mas deixa a Fortuna e o Tempo errado,

Que do contentamento são espias.