Marquesa de Alorna

Bem pode sobre o cândido Oriente

Bem pode sobre o cândido Oriente

Soltar Febo os cabelos douradores,

Que quem vive como eu, vê sempre as flores

Tintas da negra cor do mal que sente.

 

Para mim não há prado florescente,

Tudo murcham meus ais, meus dissabores,

Nem me tornam cantigas dos Pastores

Jamais serena a pensativa frente.

 

Se triste vou às danças, triste venho;

E quando a noite estende húmido manto,

A segurar o sono em vão me empenho.

 

Não toco a flauta, versos já não canto;

Cercada de pesar, mais bem não tenho

Que um triste desafogo em terno pranto.