Marquesa de Alorna
(Imitada da ode 2ª do livro III de Horácio:)
Angustam, amici, pauperiem pati, etc.
Ano de 1813
Convém que aprenda nas mavórcias lides
O mancebo a sofrer dura pobreza;
Que com a lança enristada rompa os Francos,
Pasme os Bretões vaidosos,
Que no seio do risco os dias passe,
Que na rasa campanha passe as noites;
Que ao fero aspeto seu tremam de susto
As esposas e as noivas.
– «Ai de nós! (suspirando, aflitas digam)
Não queira o Céu encontrem os consortes
Leão tal, que entre mortes ira impele
A devorar quem topa».
Pela pátria morrer é nobre, é belo!
Inútil é fugir; persegue a morte
O tímido que vil as costas volta;
Não dá quartel aos fracos.
Eia, filho! A virtude não aceita
Repulsas que lhe envia a torpe inveja;
Não dependem do arbítrio vão da plebe
Honras que intacta alcança.
Pelos ares vedados abre estrada
Aos Heróis imortais, aos Céus os leva;
Longe do térreo lodo e vulgo insano,
Rápido voo toma.
Prémio certo também alcança aquele
Que, os mistérios divinos respeitando,
No coração os guarda, e a vida inteira
A Deus e ao bem consagra.
Não quisera viver com! quem profana
Religioso rito; aventurar-me
No mesmo lenho, sobre as ondas bravas,
Com infiéis, com ímpios.
O desprezo das leis os Céus irrita.
Quem sabe se inocentes e culpados
Confundiria o Céu, quando o castigo
Infalível descesse?
Bem que tardia e coxa seja a pena,
Que pareça dormir ou descuidar-se,
Atinge enfim quem erra; não escapa
O ímpio ao que merece.