Júlio Dinis
(A meu primo e amigo J. J. Pinto Coelho)
Adeus filho do meu peito,
Que do meu peito nutri...
Parto. Vou deixar-te, filho,
Ai, que farei eu sem ti?!
Adeus! Já quando acordares
Chorando não me verás;
As noites a acalentar-te
Outra voz escutarás.
Que amor te ganhei, meu filho!
Que triste amor este meu!
Se assim tinha de deixar-te,
Pra que tanto te quis eu?
Os teus primeiros gemidos
Tua mãe não quis ouvir;
E a mim, que os calei com beijos,
Mandam-me agora partir!
Pus à volta do teu berço
Todo o amor que um seio tem,
E arrancam-te dos meus braços,
Porque eu não sou tua mãe!
Os teus vagidos de infante
Fui eu quem os sosseguei;
Carinhos que semeava,
Para a outra os semeei!
Parto. Dentro em pouco, filho,
Nem tu me hás de conhecer;
E assim de pequenino
Te ensinam já a esquecer.
Adeus! Nesta despedida
A alma toda se me vai.
E, sem querer, o meu choro
Sobre a tua cara cai,
Que desse sono inocente
Te não vá ele acordar;
Que as forças me faltariam
Então, para te deixar.
Vamos, pobre mulher, vamos
Está finda a criação,
Deste vida a este menino,
Não lhe dês o coração.
O coração? Quem to pede?
Pedem-te o leite, não mais.
Vamos, pobre mulher, vamos,
Que o acordas com os teus ais!
Adeus filho da minha alma,
Os teus carinhos não são meus,
O choro corta-me a fala,
Mal posso dizer-te... adeus.
Março de 1865