Marquesa de Alorna

Sonhos meus...

Sonhos meus, suaves sonhos,

Sois melhores que a verdade;

Quando sonho sou ditosa,

Sem o ser na realidade.

 

Amor, tu vens nos meus sonhos

Acalmar-me o coração:

Mas, cruel! quanto prometes

Não passa de uma ilusão!

 

Sonhei, tirano, esta noite,

Sonhei que tu me chamavas,

E que sobre a relva branda

Tu mesmo me acalentavas.

 

Disseste-me: «Dorme, Alcipe,

Depõe todos os teus cuidados;

Amor sobre ti vigia,

Mal podes temer os fados.»

 

Dormi: neste dobre sono

Me achei num palácio de ouro;

Entregaram-me uma chave

Para que abrisse um tesouro.

 

– «Chave mágica, sublime,

Que me vais tu descobrir?

Se é menos do que desejo,

Será melhor não abrir...»

 

– «Abre, Alcipe» – qual trovão

Brada o Deus que me vigia.

Acordei sobressaltada,

E abriu-se, mas foi o dia.