Luís Vaz de Camões

Quis Deixar-me a que Eu Adoro

Apartava-se Nise de Montano,

Em cuja alma, partindo-se, ficava,

Que o pastor na memória a debuxava,

Por poder sustentar-se deste engano.

 

Por ũa praia do Índico Oceano

Sobre o curvo cajado se encostava,

E os olhos pelas águas alongava,

Que pouco se doíam de seu dano.

 

Pois com tamanha mágoa e saudade,

(Dizia) qui deixar-me a que eu adoro,

Por testemunhas tomo céu e estrelas.

 

Mas se em vós, ondas, mora piedade,

Levai também as lágrimas que choro,

Pois assim me levais a causa delas.