Elmano Sadino

Tu, Vã Filosofia

Tu, vã Filosofia, embora aviltes

Os crentes nas visões do pensamento,

Turvo clarão de raciocínios tristes

Por entre sombras nos conduz, e a mente,

Rastejando a verdade, a desencanta;

Nem doloroso espírito se ilude,

Se o que, dormindo, creu, crê, despertando.

Até no afortunado a vida é sonho

(Sonho, que lá no fim se verifica),

E ansioso pesadelo em mim, que a choro,

Em mim, que provo o fel da desventura,

Desde que levantei, que abri, carpindo,

Os olhos infantis à luz primeira;

Em mim, que fui, que sou de Amor o escravo,

E a vítima serei, e o desengano

Da suprema paixão, por ti cantada

Em versos imortais, como o princípio

Etéreo, criador, de que emanaram.