Elmano Sadino

DOS TÓRRIDOS SERTÕES, PEJADOS D’OURO

Dos tórridos sertões, pejados d’ouro,

Saiu um sabichão d’escassa fama,

Que os livros preza, os cartapácios ama,

Que das línguas repartem o tesouro:

 

Arranha o persiano, arranha o mouro,

Sabe que Deus em turco Alá se chama;

Que no grego alfabeto o G é gama,

Que taurus em latim quer dizer touro:

 

Par papaguear saiu do mato:

Abocanha talentos, que não goza;

É mono, e prega unhadas como gato:

 

É nada em verso, quase nada em prosa:

Não conheces, leitor, neste retrato

o guapo charlatão Tomé Barbosa?