Júlio Dinis
Solta aos ventos as trancas douradas,
Meiga filha das bordas do mar,
E no meio das vagas iradas
Solta aos ventos o alegre cantar.
Não, não temas as nuvens sombrias.
Que uma a uma se elevam d'além,
Que rodeado d'amor e alegrias,
O teu céu dessas nuvens não tem.
Canta sempre; de noite às estrelas,
De manhã ao luzir do arrebol,
Ao passarem no mar as procelas,
Ao sorrir aos outeiros do sol.
Canta sempre, ó alcíone destas vagas,
Nova filha da espuma do mar,
Canta sempre, e eu sentado nas fragas,
Voltarei para ouvir-te cantar.
28 de Fevereiro de 1863.