Marquesa de Alorna

Se me Aparto de ti, Deus da Bondade

Se me aparto de ti, Deus da bondade,

Que ausência tão cruel! Como é possível

Que me leve a um abismo tão terrível

O pendor infeliz da humanidade!

 

Conforta-me, Senhor, que esta saudade

Me despedaça o coração sensível;

Se a teus olhos na cruz sou desprezível,

Não olhes para a minha iniquidade!

 

À suave esperança me entregaste,

E o preço de teu sangue precioso

Me afiança que não me abandonaste.

 

Se, justo, castigar-me te é forçoso,

lembra-te que te amei, e me criaste

para habitar contigo o Céu lustroso!