Júlio Dinis
Onde é que vais tão garrida,
Lenço azul, saia vermelha;
Pareces-me mais crescida
Ai, filha, fazes-me velha!
Mas... ainda agora reparo,
Cordão novo e arrecadas!
Onde vais nesse preparo
E com estas madrugadas?
— Onde vou ? a romaria
Da Senhora da Bonança.
Querem ver que não sabia
Que era hoje? Ai que lembrança!
— Que queres tu, rapariga,
Se toda a minha canseira
É fiar a minha estriga
Ao canto desta lareira.
Ora o Senhor vá contigo.
— Fique em paz minha madrinha.
— A casa voltes sem perigo.
Olha lá, vem à noitinha!
— Ai venho, logo às trindades,
Que é que quer que eu lhe traga 7
— Como me levas saudades
Traz-me saudades em paga.
Pois trarei e até à vinda,
Adeus que há muito amanhece.
— Vai, que romeira tão linda
É que lá não aparece.
1857