Marquesa de Alorna

Como, importuno Amor, ainda procuras...

Como, importuno Amor, ainda procuras

Misturar-te entre as minhas agonias?

Vai, cruel, para onde os alegrias

No seio da Fortuna estão seguras;

 

Onde em taças douradas, formosuras,

Esgotando o prazer, passam seus dias;

Onde acariciado tu serias

Por quem nem sabe o nome às desventuras.

 

Ao som de harmoniosos instrumentos,

No peito, que é de pérolas ornado,

Criarás mil suaves sentimentos;

 

Mas em mim, que sou vítima do fado?!...

Cercada dos mais ásperos tormentos,

Achas uma alma só – e um só cuidado.