Marquesa de Alorna
Não tem havido mal que eu não suporte;
O Fado contra mim tudo provoca.
Desfalecido o peito, a voz já rouca,
Em vão invoco um ser que me conforte.
Adeus, queridas filhas! Chega a morte;
Ouço a trombeta que um arcanjo emboca,
Na eternidade o tempo se me troca,
E pela tumba fria a Pátria, a Corte.
Encham de honra e piedade este intervalo,
Certas de um fim que a todos se avizinha;
Que já não vivo, escutem sem abalo.
O maior dom dos Céus na mão já tinha;
Porém faltam-me os dias de lográ-lo:
O mundo é para os mais, a cova minha.