Marquesa de Alorna

Às minhas filhas, longe delas, em Inglaterra e doente

Não tem havido mal que eu não suporte;

O Fado contra mim tudo provoca.

Desfalecido o peito, a voz já rouca,

Em vão invoco um ser que me conforte.

 

Adeus, queridas filhas! Chega a morte;

Ouço a trombeta que um arcanjo emboca,

Na eternidade o tempo se me troca,

E pela tumba fria a Pátria, a Corte.

 

Encham de honra e piedade este intervalo,

Certas de um fim que a todos se avizinha;

Que já não vivo, escutem sem abalo.

 

O maior dom dos Céus na mão já tinha;

Porém faltam-me os dias de lográ-lo:

O mundo é para os mais, a cova minha.