Francisco de Sá de Miranda

Ó Meus Castelos de Vento

Ó meus castelos de vento

que em tal cuita me pusestes,

como me vos desfizestes!

 

Armei castelos erguidos,

esteve a fortuna queda,

e disse:– Gostos perdidos,

como is a dar tão grã queda!

Mas, oh! fraco entendimento!

em que parte vos pusestes

que então me não socorrestes?

 

Caístes-me tão asinha

caíram as esperanças;

isto não foram mudanças,

mas foram a morte minha.

Castelos sem fundamento,

quanto que me prometestes.

quanto que me falecestes!