Francisco de Sá de Miranda
1. Aquela fe tam limpa e verdadeira,
Ũa vontade sempre tam sem magoa,
Tantas vezes provada em fogo a fragoa
E como ouro apurada e sempre enteira,
2. Aquela presunção que achou maneira
De encher de fogo o peito, e os olhos de augua,
Por que eu ledo passei por tanta magoa,
Culpa minha primeira e derradeira,
3. De que me aproveitou tudo? por certo
10Não de al que de um nome ledo e vão
Custoso á alma, custoso á vida.
4. Dei de mim que falar ó longe e ó perto:
E ja assi se consola a alma corrida.
Se não achar piedade, ache perdão.