Marquesa de Alorna
Resposta de Alcipe
Ah! Filinto, que versos magoados
Agora vão nascer, bem tristemente,
De uma lira cercada de cuidados,
Que ainda o Céu por piedade me consente!
Em meu peito, onde a simples natureza
Erige o doce templo da ternura,
Lança todos os danos da tristeza,
Qual fúria enorme, a seva desventura.
Giram meus ais em torno a um triste leito.
Pálida vejo a Mãe... Ó Céus, que vista!
Amor geme encostado no meu peito;
E ainda Vénus cobiça esta conquista?
Assaz vingada está... Oiça o ruído
Dos meus ferros pesados, meus clamores:
Olhe o gesto do Fado desabrido;
Há de chorar, e o bando dos Amores.
De outra Aracne que tece frágil teia,
Pelas noites de Inverno, a um fraco lume,
Pode a Deusa que os orbes senhoreia,
Ou a sábia Minerva, ter ciúme?!...
Vê, Filinto, se as moves a piedade,
Pois se pomos dourados eu tivera
Nem Vénus só nutrira alta vaidade,
Nem Pérgamo soberba se abatera.
Adeus, Filinto, adeus ,que já me chama
Em socorro da Mãe o meu cuidado.
Que palidez!... Que susto em mim derrama!...
Quem sabe o mais que me reserva o Fado?...