Marquesa de Alorna

DE TRÊS

FÍLIS

O Zéfiro em silêncio lisonjeia

Destes vales os álamos frondosos,

Doce frescura espalham amorosos

Os regatos brincando pela areia.

 

LÍLIA(*)

Que pouco um peito aflito se recreia

Pelos templos de Flora deleitosos!

Que objeto vêm com gosto olhos chorosos,

Se a torrente das lágrimas medeia?...

[() Eu (Nota da Autora)] *

 

MÁRCIA(*)

Não vejo ser que o peito não soçobre,

Nem tu, Mudança, escutas meus clamores,

Por mais que os sons variados neles dobre.

 

Entre teu leve manto furta-cores

A ventura diviso, que se encobre,

Deixando-me tragar dos dissabores.

[() Márcia: Minha irmã D. Maria de Almeida, que foi depois Condessa da Ribeira (Nota da Autora).] *

 

FÍLIS

Escassamente o sol já se mostrava

Entre a sombra que as luzes lhe encobria;

Dos pássaros o canto que se ouvia

A ternura e saudades inspirava.

 

MÁRCIA

Já o mocho noturno se escutava,

Que o retorno das trevas prevenia;

O terror que no peito meu descia

Triste lágrima dos olhos me arrancava.

 

LÍLIA

Larguei a voz então aos surdos ventos,

Que nas cavernas ásperas, com brados,

Convocavam os sustos macilentos;

 

Aos soltos ais, nos montes espalhados,

Não respondem os seres sonolentos,

Que não há quem responda aos desgraçados.