António Pereira Nobre

Sonetos

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Em horas que lá vão, molhei a pena

Na chaga aberta desse corpo amado,

Mas numa chaga a supurar gangrena,

Cheia de pus, de sangue já coalhado!

 

E depois, com a mão firme e serena,

Compus este Missal dum Torturado:

Talvez choreis, talvez vos faça pena…

Chorai! que imenso tenho eu já chorado.

 

Abri-o ! Orai com devoção sincera!

E, à leitura final duma oração,

Vereis cair no solo uma quimera:

 

Moços do meu País! vereis então

O que é esta Vida, o que é que vos espera…

Toda uma Sexta-Feira de Paixão!