Elmano Sadino

Meus Olhos, Atentai no Meu Jazigo

Meus olhos, atentai no meu jazigo,

Que o momento da morte está chegado;

Lá soa o corvo, intérprete do fado;

Bem o entendo, bem sei, fala comigo:

 

Triunfa, Amor, gloria-te, inimigo;

E tu, que vês com dor meu duro estado,

Volve à terra o cadáver macerado,

O despojo mortal do triste amigo:

 

Na campa, que o cobrir, piedoso Albano,

Ministra aos corações, que Amor flagela,

Terror, piedade, aviso, e desengano:

 

Abre em meu nome este epitáfio nela:

“Eu fui, ternos mortais, o terno Elmano;

Morri de ingratidões, matou-me Isabela.”