Elmano Sadino

A lamentável catástrofe de D. Inês de Castro

Da triste, bela Inês, inda os clamores

Andas, Eco chorosa, repetindo;

Inda aos piedosos Céus andas pedindo

Justiça contra os ímpios matadores;

 

Ouvem-se inda na Fonte dos Amores

De quando em quando as náiades carpindo;

E o Mondego, no caso reflectindo,

Rompe irado a barreira, alaga as flores:

 

Inda altos hinos o universo entoa

A Pedro, que da morte formosura

Convosco, Amores, ao sepulcro voa:

 

Milagre da beleza e da ternura!

Abre, desce, olha, geme, abraça e c'roa

A malfadada Inês na sepultura.