Marquesa de Alorna

A El-Rei, estando eu muito doente, em Chelas

Um moribundo esforço, um fraco alento,

Indício duma quase extinta vida,

Envia uma infeliz, triste, abatida,

Desde o leito da morte ao Régio Assento.

 

Modera, ó Soberano, o meu tormento!

Solta o Pai, por quem choro dividida!

Esta voz, já sem força proferida,

Faça em teu peito brando movimento!

 

Quatro lustros, passados na amargura,

Compreende somente a minha idade;

Entro no quinto, e mais na sepultura.

 

Ah! consente, Monarca, por piedade,

Que a mão paterna beije com ternura;

Mate o gosto quem morre de saudade!