Marquesa de Alorna

Ciúmes

Cruel Amor, tu que sabes

Rasgar com flechas meu peito,

Tira a venda dos tens olhos,

Põe-na sobre os meus com jeito.

 

Deixa-me ver a figura

De Armínio continuamente,

Mas cega-me logo, apenas

Armínio for delinquente.

 

Quando pintado em seu rosto

Triunfa o doce prazer,

Quando me aperta em seus braços,

Brando Amor, deixa-me ver.

 

Mas se à vista de outro objeto

Acaso o deleite esfria,

De que me serve ter olhos?...

Apaga-me a luz do dia!

 

Não é de maiores luzes

Que a minha alma necessita;

Não quero saber por quê

Quando vê Sílvia se agita.

 

De que serve o ver pintada

No seu rosto a inquietação,

Se chega o Correio ou parte?

Aperta-me a venda então!

 

Sem esta cautela, Amor,

Nulos os prazeres são;

Creio pouco nos sentidos

Se me foge o coração.