António Pereira Nobre

Paz!

E a Vida foi, e é assim, e não melhora.

Esforço inutil, crê! Tudo é illuzão...

Quantos não scismam n'isso mesmo a esta hora

Com uma taça, ou um punhal na mão!

 

Mas a Arte, o Lar, um filho, Antonio? Embora!

Chymeras, sonhos, bolas de sabão.

E a tortura do além e quem lá mora!

Isso é, talvez, minha unica afflicção...

 

Toda a dor pode suspportar-se, toda!

Mesmo a da noiva morta em plena boda,

Que por mortalha leva... essa que traz...

 

Mas uma não: é a dor do pensamento!

Ai quem me dera entrar n'esse convento

Que ha além da Morte e que se chama A Paz!