António Pereira Nobre

Virgens que passais

Virgens

que passais, ao Sol-poente,

Pelas estradas ermas, a cantar!

Eu quero ouvir uma canção ardente,

Que me transporte ao meu perdido lar.

 

Cantai-me, nessa voz omnipotente,

O sol que tomba, aureolando o Mar

A fartura da seara reluzente,

O vinho, a graça, a formosura, o luar!

 

Cantai! Cantai as límpidas cantigas!

Das ruínas do meu lar desaterrai

Todas aquelas ilusões antigas

 

Que eu vi morrer num sonho, como um ai....

Ó suaves e frescas raparigas,

adormecei-me nessa voz...cantai !