Elmano Sadino

Lusos Heróis, Cadáveres Cediços

Lusos heróis, cadáveres cediços,

Erguei-vos dentre o pó, sombras honradas,

Surgi, vinde exercer as mãos mirradas

Nestes vis, nestes cães, nestes mestiços.

 

Vinde salvar destes pardais castiços

As searas de arroz, por vós ganhadas;

Mas ah! Poupai-lhe as filhas delicadas,

Que. Elas culpa não têm, têm mil feitiços.

 

De pavor ante vós no chão se deite

Tanto fusco rajá, tanto nababo,

E as vossas ordens, trémulo, respeite.

 

Vão para as várzeas, leve-os o Diabo;

Andem como os avós, sem mais enfeite

Que o langotim, diámetro do rabo.