Júlio Dinis
Nota: Última carta em verso que Júlio Dinis dirigiu a José Joaquim Pinto Coelho. Era desta maneira que festejava os aniversários do seu primo.
«Veste-se a planta de flores
Quando a Primavera assoma;
E a espessura de verdores
Perfuma com o seu aroma.
«Mas nem sempre a mesma vida
Transluz nas flores abertas;
Uma seiva empobrecida
Só lhes dá cores incertas.
«Todos os anos floresce,
Ao despertar este dia,
A planta que, ignota, cresce,
Da minha pobre poesia.
«Porém, desta vez, roçada
Do mal, pela mão funesta,
Uma flor só, desmaiada,
Abriu para a tua festa.
«Mas seja o tributo pago,
Embora com pobre oferta;
Essa mesma aí a trago,
Desbotada e mal aberta.»
1866.