Mário de Andrade
Paulicéia Desvairada
Monotonias das minhas retinas...
Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...
Todos os sempres das minhas visões! «Bon giorno, caro.»
Horríveis as cidades !
Vaidades e mais vaidades...
Nada de asas ! Nada de poesia 1 Nada de alegria !
Oh I os tumultuários das ausências !
Paulicea — a grande bocca de mil dentes;
e os jorros dentre a lingua trissulca
de pús e de mais pús de distinção...
Giram homens fracos, baixos, magros...
Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...
Estes homens de São Paulo,
todos iguais e desiguais,
quando vivem dentro dos meus olhos tão ricos,
parecem-me uns macacos, uns macacos.