Marquesa de Alorna

No dia dos meus anos

Dia cruel, no qual ao bem resiste

A memória de uns anos desgraçados,

Ou brilha vencedor de injustos fados,

Ou não tomes a vir como hoje, triste.

 

Porém que digo? Céus! Em que consiste

O emprego dos meus votos inflamados,

Se dos terrenos bens tão desejados,

Além da morte, nem um só persiste?

 

Dure pois muito embora esta violência,

Que o peito martiriza sem piedade,

Que eu assaz me contento da inocência.

 

E para a verdadeira utilidade,

Receberei, entregue à paciência,

Saudáveis lições na adversidade.