Marquesa de Alorna
Cantai, Povos, em metro desusado,
Do Senhor a justiça, a misericórdia,
Já que tantas maravilhas
Ele obrou por nos salvar!
Soltai suavíssimas vozes
E não cesseis de cantar!
Da sua dextra a salvação deriva,
Seu santo braço os corações cativa.
Ao mundo declarou nosso resgate;
Na presença das gentes assombradas
Revelou sua justiça,
Fez manifesta a verdade;
E, de Israel condoído,
Recordou sua piedade.
Constou quanto era Deus justo e clemente
Do norte ao sul, da aurora ao sol cadente.
A terra inteira jubilosa cante!
Com acordes e doces instrumentos
Festejemos este dia!
Siga a lira os nossos hinos,
Trompas, flautas e saltérios
Rompam os Céus cristalinos!
Em concerto geral a Natureza
Do peito expulse as sombras da tristeza!
O Senhor veio à terra; vem salvar-nos.
Perante a sua face, os seres todos
Celebrem sua presença.
Revolva-se alegre o mar,
E nas ondas brincadoras
Vejam-se os peixes saltar.
Da terra os mais remotos habitantes
Sejam deste festim participantes!
Irão correndo e as margens refrescando
Os rios; seus cristais mais puros brilhem!
Serpeando alegremente,
De novo alentando as flores,
A seu modo vão tecendo
Ao Senhor os seus louvores!
Espalhe-se a alegria sobre os montes!
Nos vales corram mais serenas fontes!
De um tal contentamento a causa é clara:
O Senhor desce e vem julgar a terra.
Cessa a funesta incerteza;
Julgará como Deus julga,
E sobre o orbe terráqueo
A justiça se promulga.
Povos que vitimava a atrocidade
Julgados só serão pela equidade.