Marquesa de Alorna

Imitada do Salma Bíblico XCVII

Cantai, Povos, em metro desusado,

Do Senhor a justiça, a misericórdia,

Já que tantas maravilhas

Ele obrou por nos salvar!

Soltai suavíssimas vozes

E não cesseis de cantar!

Da sua dextra a salvação deriva,

Seu santo braço os corações cativa.

 

Ao mundo declarou nosso resgate;

Na presença das gentes assombradas

Revelou sua justiça,

Fez manifesta a verdade;

E, de Israel condoído,

Recordou sua piedade.

 

Constou quanto era Deus justo e clemente

Do norte ao sul, da aurora ao sol cadente.

A terra inteira jubilosa cante!

Com acordes e doces instrumentos

Festejemos este dia!

Siga a lira os nossos hinos,

Trompas, flautas e saltérios

Rompam os Céus cristalinos!

Em concerto geral a Natureza

Do peito expulse as sombras da tristeza!

 

O Senhor veio à terra; vem salvar-nos.

Perante a sua face, os seres todos

Celebrem sua presença.

Revolva-se alegre o mar,

E nas ondas brincadoras

Vejam-se os peixes saltar.

Da terra os mais remotos habitantes

Sejam deste festim participantes!

 

Irão correndo e as margens refrescando

Os rios; seus cristais mais puros brilhem!

Serpeando alegremente,

De novo alentando as flores,

A seu modo vão tecendo

Ao Senhor os seus louvores!

Espalhe-se a alegria sobre os montes!

Nos vales corram mais serenas fontes!

De um tal contentamento a causa é clara:

O Senhor desce e vem julgar a terra.

Cessa a funesta incerteza;

Julgará como Deus julga,

E sobre o orbe terráqueo

A justiça se promulga.

Povos que vitimava a atrocidade

Julgados só serão pela equidade.