Elmano Sadino

Invocação à Noite

Ó deusa, que proteges dos amantes

O destro furto, o crime deleitoso,

Abafa com teu manto pavoroso

Os importantes astros vigilantes:

 

Quero adoçar meus lábios anelantes

No seio de Ritália melindroso;

Estorva que os maus olhos do invejoso

Turbem d'amor os sôfregos instantes:

 

Tétis formosa, tal encanto inspire

Ao namorado Sol teu níveo rosto,

Que nunca de teus braços se retire!

 

Tarda ao menos o carro à Noite oposto,

Até que eu desfaleça, até que expire

Nas ternas ânsias, no inefável gosto.