Marquesa de Alorna

Bem como se perturba a clara fonte...

Bem como se perturba a clara fonte

Na agitação contínua da corrente,

A minha alma sossego não consente,

Por mais que nos meus ais ânsias desconte.

 

De cuidado em cuidado, monte em monte

Me leva este pesar que o peito sente;

Sempre diviso aflita, descontente,

Os princípios da luz pelo horizonte.

 

De que vem este mal? Um mal tão claro

Vem de um vago sentir que na alma pesa...

Amor! Serás comigo sempre avaro?

 

Amor em mim é filho da tristeza!

Eu sinto o coração ao desamparo...!

Pune, ó Deus, pelas leis da natureza!