Marquesa de Alorna
Adeus, Sol, de outro Sol imagem bela!
Para mim vão teus raios apagar-se;
Vai minha alma ansiosa colocar-se
Onde não há receios, nem cautela.
Em doce paz, sem susto de perdê-la,
Há de enfim ao Supremo Bem ligar-se;
E da maior delícia irá fartar-se,
Transmigrando feliz de estrela a estrela.
Não tardes, hora! Evita que este dia
Funeste, recordando antigas penas,
Costume inveterado de agonia.
Não me apresentes mais glórias terrenas,
Sem que as possa gozar; é tirania,
Pois de Tântalo à sede me condenas.