Elmano Sadino

Ó Trevas, que Enlutais a Natureza

Ó trevas, que enlutais a Natureza,

Longos ciprestes desta selva anosa,

Mochos de voz sinistra e lamentosa,

Que dissolveis dos fados a incerteza;

 

Manes, surgidos da morada acesa

Onde de horror sem fim Plutão se goza,

Não aterreis esta alma dolorosa,

Que é mais triste que voz minha tristeza.

 

Perdi o galardão da fé mais pura,

Esperanças frustrei do amor mais terno,

A posse de celeste formosura.

 

Volvei, pois, sombras vãs, ao fogo eterno;

E, lamentando a minha desventura,

Movereis à piedade o mesmo Inferno.