Marquesa de Alorna
Do teimoso desgosto a mão nefanda,
Que o coração me estava comprimindo,
Com susto se desvia, e vai fugindo
Ao Báratro, após Mégera execranda.
Nascei, versos, ao som da flauta branda,
Recreai as Deidades lá do Pindo,
Vá-se o canto sublime, vá-se abrindo,
Que Délio, o mesmo sacro Délio o manda.
A Camena altas músicas descante,
Com a cítara aspergida de ambrosia,
Em honra de Piério hinos levante.
Ó Paz, filha de Apolo e de Harmonia,
Descansa no meu peito um doce instante,
Roubemo-lo ao domínio da agonia!