Camilo Pessanha

Rosas de Inverno

Corolas, que floristes

Ao sol do inverno, avaro,

Tão glácido e tão claro

Por estas manhãs tristes.

 

Gloriosa floração,

Surdida, por engano,

No agonizar do ano,

Tão fora da estação!

 

Sorrindo-vos amigas,

Nos ásperos caminhos,

Aos olhos dos velhinhos,

Às almas das mendigas!

 

Desse Natal de inválidos

Transmito-vos a bênção,

Com que vos recompensam

Os seus sorrisos pálidos.