Marquesa de Alorna

Vai a Fresca Manhã Alvorecendo

Vai a fresca manhã alvorecendo,

vão os bosques as aves acordando,

vai-se o Sol mansamente levantando

e o mundo à vista dele renascendo.

 

Veio a noite os objectos desfazendo

e nas sombras foi todos sepultando;

eu, desperta, o meu fado lamentando.

fui coa ausência da luz esmorecendo.

 

Neste espaço, em que dorme a Natureza.

porque vigio assim tão cruelmente?

Porque me abafa ó peso da tristeza?

 

Ah, que as mágoas que sofre o descontente,

as mais delas são faltas de firmeza.

Torna a alentar-te, ó Sol resplandecente!