Júlio Dinis
II
No campo já se escuta
Das alas o marchar.
Que agigantada luta
Além se vai travar?
Dá-se o sinal! Furiosas
Partem as legiões;
Encontram-se raivosas
Bramem como os leões.
Ai, que tinir de espadas!
Que estrépito fatal!
Que vozes angustiadas
Se escutam no arraial!
O sangue rutilante
Inunda e tinge o chão;
Aos ais do agonizante
Responde a imprecação.
Em pé, os combatentes,
Perdidos os corcéis,
Cingem-se quais serpentes
Em pérfidos anéis.
A luta é braço a braço,
A golpes de punhais;
Se caem de cansaço,
Não se levantam mais.
A luta é peito a peito,
Terrível e cruel!
Às cãs não há respeito,
À dor não há quartel!