Elmano Sadino

Cede a Filosofia à Natureza

Tenho assaz conservado o rosto enxuto

Contra as iras do Fado omnipotente;

Assaz contigo, ó Sócrates, na mente,

À dor neguei das queixas o tributo.

 

Sinto engelhar-se da constância o fruto,

Cai no meu coração nova semente;

Já me não vale um ânimo inocente;

Gritos da Natureza, eu vos escuto!

 

Jazer mudo entre as garras da Amargura,

D'alma estóica aspirar à vã grandeza,

Quando orgulho não for, será loucura.

 

No espírito maior sempre há fraqueza,

E, abafada no horror da desventura,

Cede a Filosofia à Natureza.