Elmano Sadino

Quantas vezes, Amor, me tens ferido?

Quantas vezes, Amor, me tens ferido?

Quantas vezes, Razão, me tens curado?

Quão fácil de um estado a outro estado

O mortal sem querer é conduzido!

 

Tal, que em grau venerando, alto e luzido,

Como que até regia a mão do fado,

Onde o Sol, bem de todos, lhe é vedado,

Depois com ferros vis se vê cingido:

 

Para que o nosso orgulho as asas corte,

Que variedade inclui esta medida,

Este intervalo da existência à morte!

 

Travam-se gosto, e dor; sossego e lida;

É lei da natureza, é lei da sorte,

Que seja o mal e o bem matiz da vida.