Marquesa de Alorna

À memória de El-Rei D. João IV, em 1810, no tempo da invasão dos Franceses

Sombra Régia! se a minha lira nada

Quebra da morte o empedernido muro,

Lá te leva meu canto incenso puro,

Qual arde na minha alma, que não muda

 

Em vão porém maldade ardis estuda.

Atrás desse pendão, nobre e seguro,

Que os quarenta guiou, a vós procuro,

Pois não há cá no mundo quem me acuda.

 

Basta-me a mim, que adoro o Nome vosso,

Que o vosso Neto e gente assinalada

Os loiros murche ao gaio e seu colosso.

 

Com mão afeita ao fuso, não à espada,

A Pátria sirvo como sei e posso.

Feliz se aos mortos o que faço agrada!