Marquesa de Alorna

Dizendo-me uma pessoa que eu nunca havia de ser feliz

Esperanças de um vão contentamento,

Por meu mal tantos anos conservadas,

É tempo de perder-vos, já que ousadas

Abusastes de um longo sofrimento.

 

Fugi; cá ficará meu pensamento

Meditando nas horas malogradas,

E das tristes, presentes e passadas,

Farei para as futuras argumento.

 

Já não me iludirá um doce engano,

Que trocarei ligeiras fantasias

Em pesadas razões do desengano.

 

E tu, sacra Virtude, que anuncias,

A quem te logra, o gosto soberano,

Vem dominar o resto dos meus dias.