Júlio Dinis

O MISERÁVEL

— «Não se soube dele?» — «Dizem

Que vive rico e contente,

Sem que lhe pese a lembrança

Dessa desgraçada gente.»

— «O miserável!» murmura

O forasteiro sombrio,

O pastor desceu a encosta

E passou para além do rio.

 

E quando de madrugada

Conduzia ao monte o gado,

Encontrou na ribanceira

O corpo de um afogado.

 

Conheceu o forasteiro

Pelas vestes que trazia;

Foi enterrado na aldeia.

Quem era? Ninguém sabia.