Marquesa de Alorna
[() Este apólogo foi feito em casa de uma senhora que também fazia versos, e tinha a vantagem de ser casada com um Ministro de Estado (Nota da Autora).] *
Um Pintassilgo imprudente
Desviou-se do seu ninho,
E nem um só grão de arpista
Encontrou pelo caminho.
Pela fome conduzido,
Entrou num bosque sombrio
Onde retinia ao longe
De um Rouxinol o assobio.
Ao doce cantor das selvas
Voou afoito e lhe disse,
Se tinha grão de sobejo
Que com ele repartisse.
– «Tenho, (respondeu polido,
O músico das florestas)
Tenho grão e sei cantigas;
Terás dele; escuta estas.»
Começou logo a cantar;
Cantou, até que amanheceu,
E entretanto o Pintassilgo
Foi definhando – e morreu.