Marquesa de Alorna
Encantador pirilampo,
Adorno da noite em Maio,
Vem luzir neste meu canto,
Dá-me desses teus um raio!
Tu das estações incertas
Nada temes, nada provas;
Dá-te vida a Primavera
E o bafo das flores novas.
Não morres, mas adormeces
Enquanto os ventos irados
Açoitam as altas faias,
Dessecam os verdes prados.
Ah! se, como tu, pudesse
Dormir, quando as tempestades
Dos desastres alvoroçam
No meu peito mil saudades!...
Não queria viver mais
Que o tempo que tu existes.
De que servem tantos dias,
Quando são todos tão tristes?