Júlio Dinis
Cantar o amor é destino
Quando o seio pulsa ardente,
Quando no nosso horizonte
Surge a imagem resplendente
De um sol que a aridez da vida
Transforma em jardim florente.
Mas quando a chama se extingue,
Que no peito nos ardia,
A lira não canta amores,
Nem os sonha a fantasia;
Então natureza e pátria
Só nos inspiram poesia.
Depois, os anos declinam
Como o Sol no azul dos céus;
E quando a noite da vida
Já nos estende seus véus,
Todos os cantos da lira
São consagrados a Deus!
12 de Agosto de 1860.