Júlio Dinis
IV
Que solidão de morte!
Que erma a planície jaz!
Dorme no campo o forte,
Sono de glória e paz.
Dorme a valente raça
De intrépidos heróis!
Cegos, ao sol que passa
Saúdam novos sóis.
Que sepulcral figura
Se adianta além subtil;
Tão cheio de amargura
O gesto e o olhar febril!
À ensanguentada arena
Os passos seus conduz;
Raiou sobre esta cena
Da Lua a tarda luz.
Súbito em desvario
Solta um sentido ai,
Junto a um cadáver frio
Desfeita em choro cai.
«És tu! és tu? ai, filho!
Ai, como te encontrei!
Como estão já sem brilho
Os olhos que eu beijei!
«Vai, sombra idolatrada,
À tua Pátria, aos Céus!»
Cinge-lhe ao peito a espada;
Morre ao dizer-lhe: «Adeus!»