António Pereira Nobre

Vaidade, Tudo Vaidade!

Vaidade, meu amor, tudo vaidade!

Ouve: quando eu, um dia, for alguem,

Tuas amigas ter-te-ão amizade,

(Se isso é amizade) mais do que, hoje, têm.

 

Vaidade é o luxo, a gloria, a caridade,

Tudo vaidade! E, se pensares bem,

Verás, perdoa-me esta crueldade,

Que é uma vaidade o amor de tua mãe...

 

Vaidade! Um dia, foi-se-me a Fortuna

E eu vi-me só no mar com minha escuna,

E ninguem me valeu na tempestade!

 

Hoje, já voltam com seu ar composto,

Mas eu, ve lá! eu volto-lhes o rosto...

E isto em mim não será uma vaidade?